Continuar a luta<br> com mais força
As eleições para o Parlamento Europeu, confirmaram todos os grandes objectivos que o PCP definira para a sua participação, no quadro da CDU, nestas eleições, sempre entendidas como uma importante batalha política.
A coligação PSD/CDS-PP sofreu uma derrota histórica
O significativo reforço da CDU – A CDU obteve mais votos, mais percentagem, mais deputados, o melhor resultado dos últimos 25 anos, resultado tanto mais significativo quanto não contou com um tratamento igual por parte da comunicação social dominante. A CDU fez uma campanha de esclarecimento sereno, de contacto directo com as pessoas, com verdade, prestando contas do seu trabalho no PE em defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo, com alegria, dinamismo e confiança. O seu resultado é tanto mais significativo quanto teve que responder ao anticomunismo, sobretudo do PS, e ao discurso populista anti-partidos por parte de alguns candidatos ou à confusão dos símbolos no boletim de voto.
A derrota da coligação PSD/CDS-PP – A coligação PSD/CDS-PP sofreu uma derrota histórica traduzida no seu pior resultado de sempre, ou seja, no pior resultado em 38 eleições realizadas. O PSD e o CDS-PP conseguiram, conjuntamente, um resultado pouco superior ao dobro dos votos da CDU. Derrota tanto mais relevante quanto é verdade que a coligação do Governo pôde usar (e usou, de facto) poderosos meios com o objectivo de se colocar em situação de vantagem: órgãos da comunicação social dominante, manipulação, propaganda, ajuda do PR, da troika, do BCE, hesitações e cumplicidades do PS, tipo de campanha do MPT que, na prática, contribuiu para o branqueamento da sua responsabilidade no Governo. Derrota demolidora que evidenciou uma enorme redução da base de apoio do Governo e acrescentou à sua ilegitimidade política e constitucional, a sua ilegitimidade social, que levou o PCP a apresentar na AR uma moção de censura.
A derrota dos partidos da Troika (PS, PSD e CDS) – Derrotados foram igualmente os partidos que, revezando-se no governo, conduziram ao longo dos últimos 37 anos a política de direita. Juntos perderam mais de 400 000 votos e dois deputados e regrediram de 66,6% para 59,1% , perdendo 7,5 pontos percentuais. Tendência que, a confirmar-se, pode vir a fragilizar ou comprometer o velho sistema de alternância e criar condições para a ruptura com esta política e para a alternativa patriótica e de esquerda que defendemos.
O PS, amarrado à troika e à política de direita, não conseguiu fazer passar a sua grande promessa de «mudança» e foi visto (e penalizado) pelo eleitorado pela sua responsabilidade nesta política. Recorreu na sua campanha à arma anticomunista acusando o PCP de ter ajudado a derrubar o governo PS/José Sócrates, ao votar contra o PEC IV. Procurou, assim, vitimizar-se, como se a sua acção política, dita de esquerda, tivesse sido derrubada por uma atitude sectária e injusta por parte do PCP. Não logrou, no entanto, ludibriar o eleitorado nem desarmar a acção de esclarecimento da CDU, que chamou a atenção para as suas responsabilidades concretas na aprovação de todos os instrumentos estruturantes da política de direita e do processo de integração capitalista da União Europeia.
E não deixa de ser lamentável que, no rescaldo destas eleições, o PS, em vez de arrepiar caminho, venha agora recolocar na sua agenda política a velha tentativa e os velhos argumentos para a alteração às leis eleitorais, tendo em vista ganhar na secretaria o que não consegue ganhar no terreno social.
O papel do populismo
Merece ainda consideração pelo seu significado político e ideológico o fenómeno populista de Marinho e Pinto/MPT. Transformado no grande acontecimento destas eleições (até para retirar atenções ao crescimento eleitoral da CDU) é um fenómeno que resulta da conjugação de vários factores: escolha de uma figura populista e «justiceira» com grande empolamento e projecção por parte da comunicação social dominante, três ou quatro ideias genéricas para escamotear a sua opção com os eixos essenciais da política de direita, discurso moralista repetido até à exaustão e ausência de qualquer projecto de transformação social coerente.
Fenómenos destes, mais ou menos transitórios, mais ou menos duradouros, tivemo-los em muitas circunstâncias da nossa vida política dos últimos 40 anos. A nossa acção e a própria vida se encarregarão de mostrar, como aconteceu com epifenómenos semelhantes, a sua verdadeira natureza e ojectivos.
Refere-se ainda a redução da base eleitoral do BE e a frustração de expectativas de outros projectos e concepções ideológicas lançados essencialmente para travar o crescimento eleitoral da CDU ou a influência política e social do PCP.
Importa, pois, valorizar o resultado da CDU pelo seu significado eleitoral, político e ideológico. Reforço que, articulado com a intensificação da luta de massas – factor central e decisivo – e a unidade com muitos outros democratas e patriotas, ditará as condições e o momento da ruptura e a afirmação de uma verdadeira alternativa política patriótica e de esquerda.